
O orçamento de segurança pública do governo do Rio de Janeiro vai encolher em 2026 pela primeira vez desde o início da gestão de Cláudio Castro. Os recursos previstos caem de R$ 19,4 bilhões em 2025 para R$ 19,1 bilhões neste ano — uma redução nominal de 1,5%. Ainda assim, o valor segue à frente dos orçamentos de Saúde (R$ 13,5 bilhões) e Educação (R$ 10,8 bilhões), consolidando a segurança como a maior prioridade orçamentária do estado.
82% do orçamento vai direto para a atividade policial
Do total de R$ 19,1 bilhões, 82% são destinados diretamente às atividades-fim da polícia — folha de pagamento, operações, viaturas, armamento e equipamentos. É uma concentração de recursos que reflete a escolha política do governo estadual de priorizar o efetivo em campo em vez de estruturas administrativas ou investimentos de médio prazo.
Olhando a série histórica, o crescimento chama atenção: o orçamento de segurança saiu de R$ 12,8 bilhões em 2020 para os R$ 19,1 bilhões atuais, um salto de quase 50% em cinco anos — mesmo com a queda pontual registrada agora em 2026.
Concurso da PM e novas viaturas seguem confirmados

Mesmo com a redução no orçamento total, o governo do Rio confirmou a realização do concurso da PMERJ em 2026, além da entrega de viaturas semiblindadas à corporação — sinal de que o ajuste fiscal não interrompeu os planos de expansão do efetivo policial, mas provavelmente reorganizou prioridades dentro do próprio orçamento da pasta.
Esse tipo de decisão orçamentária tem efeito direto sobre o dia a dia de quem trabalha na ponta — como é o caso de policiais como o subtenente Nei Machado, o “Batata da Madsen”, cuja carreira de mais de duas décadas na PMERJ atravessou justamente esse período de expansão e agora de ajuste do orçamento de segurança do estado.
Rio investe a maior fatia proporcional do país em segurança
Em termos proporcionais, o Rio de Janeiro destina cerca de 15% de todo o seu orçamento estadual à segurança pública — um recorde nacional entre os estados brasileiros. Em valores absolutos, o Rio só fica atrás de São Paulo, que tem uma economia e um orçamento total muito maiores.
Esse padrão de investimento é frequentemente citado por autoridades e por quem trabalha na área como reflexo direto da gravidade do cenário de segurança pública fluminense — mas também gera debate sobre o equilíbrio entre gasto com segurança e gasto com políticas sociais de médio e longo prazo, como saúde e educação, que seguem com orçamentos proporcionalmente menores.
Comparação com outros estados reforça o padrão fluminense
Quando comparado a outros estados brasileiros, o Rio de Janeiro se destaca justamente pela combinação de dois fatores raros juntos: alto volume absoluto de recursos e alta proporção do orçamento total dedicada à segurança. São Paulo investe mais em números absolutos por ter uma economia e um orçamento estadual muito maiores, mas proporcionalmente destina uma fatia menor do total ao setor. Isso coloca o Rio numa posição peculiar — de um lado, a prioridade orçamentária sinaliza compromisso do Executivo estadual com o combate à criminalidade; de outro, expõe a dependência do estado de um único eixo de política pública para tentar resolver um problema que também tem raízes sociais e econômicas de longo prazo.
Efetivo policial e o debate sobre déficit histórico
Parte da justificativa para manter o orçamento de segurança elevado mesmo em ano de ajuste fiscal está ligada ao histórico déficit de efetivo da PMERJ, tema recorrente entre especialistas em segurança pública e também entre os próprios policiais na ativa. Anos de congelamento de concursos e aposentadorias acima da reposição deixaram a corporação abaixo do contingente considerado ideal para atender a extensão territorial e a densidade populacional do estado — um cenário que o concurso confirmado para 2026 tenta começar a reverter, ainda que gradualmente, já que a formação de novos policiais leva tempo e não resolve o problema no curto prazo.
Com o concurso da PM confirmado e a expansão de programas como o Segurança Presente prevista para ganhar novas bases ao longo de 2026, a expectativa é que a execução orçamentária ao longo do ano mostre se a redução nominal de 1,5% no orçamento total vai de fato se traduzir em menos investimento por policial em campo, ou se será compensada por eficiência operacional e por outras fontes de recursos, como convênios federais e recursos extraordinários de operações e apreensões.
Para o cidadão fluminense, o que fica claro é que o debate sobre segurança pública no Rio nunca é apenas sobre quanto dinheiro entra, mas sobre como esse dinheiro é distribuído entre efetivo, tecnologia, inteligência e prevenção — e esse equilíbrio é o que vai determinar se a leve queda no orçamento de 2026 será sentida na prática pela população ou apenas absorvida internamente pela gestão do estado.
Fontes: Sinfrerj, Tempo Real RJ, Seu Crédito Digital, Guardas Municipais Brasil.